| Biografia |
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| Escrito por Administrator |
| Dom, 03 de Janeiro de 2010 18:53 |
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Panmela Castro, mais conhecida como Anarkia, é professora de artes a mais de 10 anos. Hoje dedica-se a ao graffiti sendo conhecida e respeitada internacionalmente pelo seu trabalho Politico feminista. Veio de uma geração que não possuía acesso a internet e para ter nome na rua tinha que agir. Em sua adolescência, foi nome importante da cena da pichação carioca aonde conquistou respeito, visibilidade e credibilidade pois como pioneira, mostrou com suas ações que o estigma de que mulher deve habitar somente o espaço privado, sendo sensível e feminina é um conceito ultrapassado garantindo a participação feminina na cena e abrindo caminho para toda a geração de mulheres posterior. Mostrou que as mulheres podem ser fortes e enfrentar os perigos da rua para assim impor sua participação na rotação da cidade.
Em 2008, ganhou o premio do Festival Hutúz, o maior festival de Hip Hop da América Latina na categoria Destaque do Graffiti e em 2010 foi homenageada com a premiação como grafiteiro da década. Desenvolveu o projeto Grafiteiras Pela Lei Maria da Penha como o objetivo de divulgar esta importante nova lei sobre violência domestica além de estimular e dar visibilidade ao trabalho das grafiteiras. Pela metodologia inovadora, apresentou o projeto a convite da ONG Caramundo na Conferência sobre combate a violência nas cidades “Your City” em Durban, Africa do Sul e em Toronto, no Canadá, ande também trabalhou como coordenadora do fórum de juventude realizado pela Organização dos Estados Americanos e o Comitê Interamericano de Cultura, além de ter participado do Festival Manifesto com uma pintura com grafiteiros locais e de expor na galeria Well and Goods. Na Alemanha, pela organização Artefeito participou de um intercâmbio pela fundação Rosa Luxemburgo sobre as novas formas de organização da Juventude e na Colômbia a convite da Familia Ayara ministrou oficinas e palestras sobre graffiti além de expor seu trabalho no centro cultural da organização.
Para 2010, Panmela foi convidada a ir a Washington DC aonde receberá o prêmio “Vital Voice Global Leadership Award” destacando a liderança, metodologia inovadora e estratégia de trabalho com o graffiti em pró dos direitos das mulheres entrando assim para o grupo de seletas homenageadas como a Presidente do Chile Michelle Bachelet, a pioneira anti trafico de mulheres Somaly Mam, a premio Nobel Laureate Muhammad Yunus, e a secretária dos Estados Unidos Hillary Clinton .
O seu trabalho político social é a grande inspiração para seu trabalho artístico que matem como tema principal a questão das mulheres e o feminismo.
A Dimensão da Rebeldia -A Arte de Rua como Estilo de Vida para as Idéias do Novo Feminismo.
A Vida como Arte Meu trabalho aborda de uma forma autobiográfica as relações estabelecidas a vivencia na rua e a crítica cultural feminista. Pensando em provocar e polemizar através do processo artístico de convivência com a rua as verdades instituídas por nossa sociedade patriarcal, em especial em relação ao corpo feminino, à sexualidade, à subjetividade, analisando as relações de poder. Retirando a possibilidade restrita da concepção da produção de obras e colocando a arte como o próprio estilo de vida. Assim minha vivencia pessoal, as minhas intimidades, as atitudes, as escolhas por caminhos não convencionais e o meu diálogo com a rua seriam o processo mais importante: A obra em si. O meu trabalho passeia essencialmente no mundo das idéias e sua beleza visual, quando ocorre, é apenas um efeito colateral. É efêmero, pois coisas fixas e pertinentes não são suficientes para a minha ansiedade e não correspondem as necessidades de entendimento do mundo em que vivo. O Feminismo e a Arte Apesar das conquistas de igualdade de direitos, nós mulheres ainda não atingimos o ideal total de igualdade cultural pois não estamos nem em quantidade nem em qualidade ocupando os mesmos espaços que os homens e um exemplo claro disso é a desigualdade do número de artistas homens e mulheres. No Rio de Janeiro temos uma média de 10 meninas ativaspara centenas de homens na cena do grafite. A mulher não foi criada para estar no ambiente público. A rua inibe suas ações devido aos riscos inimagináveis que seu corpo pode sofrer. O corpo da mulher tem sido uma forma de controle. As atitudes da rua não fazem parte do ideal de feminilidade imposto por nossa sociedade. O pensamento falocêntrico limita a visão da cidade para uma só verdade quando é necessário evidencia-la sob uma perspectiva feminina/feminista, mas não de quem está acostumado a observar, mas sim de quem interage com a selva da cidade. O prazer de contestar o meu próprio mundo transforma então este mesmo corpo em um espaço importante para uma crítica da cultura. Com um engajamento político filosófico, freqüentar a rua é mais do que quebrar estatísticas, é formar uma crítica teórica e política da produção de intervenção urbana, descartando o produto final e transformando a estética do cotidiano em atitudes artísticas englobando todo o processo de vida. Usar a arte em minha minha construção e o meu corpo e toda a carga de vivencia e de tempo como produto final. O Novo Feminismo As Feministas atuais não são iguais às da década de 60. Na memória social segue de longa data e predomina ainda hoje, um estereótipo para com as que lutam pela autonomia das mulheres, desqualificado-as e percebendo-as como mulheres feias, infelizes, sexualmente rejeitadas pelos homens e, convenhamos, não é muito raro ouvirmos outras mulheres reafirmando estes estigmas ainda hoje. Isso, como uma maneira de ignorar a importância do movimento feminista para com os ganhos em relação a igualdade da mulher hoje. Esse processo de eliminação da historicidade dos fenômenos, ou de naturalização pode ser claramente percebido na relação estabelecida com vários movimentos sociais, entre o feminista, o hippie e o anarquista, entre outros, é claro. Como se operasse um profundo corte entre gerações imediatamente sucessivas, o que é proposto de maneira impactante e conflituosa por uma, é vivido pelas seguintes com naturalidade, como ordem natural do mundo, esquecendo-se a dimensão da luta realizada para sua conquista e tachando-se o movimento originário de "derrotado". Parte-se, evidentemente, do suposto que apesar dos enormes retrocessos e das profundas intolerâncias que atravessam nossos tempos, vivemos também um mundo muito mais libertário e feminista, questionado ininterruptamente em todos os seus movimentos, seguramente há mais de 30 anos. Os Tabus sociais ainda hoje envolvem e geram muito sofrimentos nas mulheres como por exemplo o papel servil ao homem, um esteriótipo clássico que coloca a mulher numa posição de assujeitamento na sociedade – dominação legitimada por meio da associação do feminino a elementos da natureza e do corpo, em contraposição às esferas da cultura e da razão. Tradicionalmente -movimento feminista iniciado na década de 60- algumas posturas clássicas feministas seriam próprias para esse contexto como foram no movimento de arte feminista da mesma década e da seguinte. Porém, com os direitos conquistados nos últimos anos, outras facetas surgiram na problemática da mulher e hoje a desigualdade é acobertada pela igualdade de direitos recém conquistada na constituição criando novas necessidades enquanto mulher e tornando certas posturas feministas obsoletas. A alguns anos para uma mulher conquistar a rua era necessário ser literalmente igual a um homem: Roupa, posturas, falas, etc. Hoje mais do que igualdade de poder, queremos ser nós mesmas e ter a aparência e atitudes que desejarmos e independente disso continuarmos sendo respeitadas. Por isso, o uso da palavra “Novo feminismo”. É preciso entender os pontos que cominaram no surgimento do movimento feminista e a importância de suas conquistas nos últimos anos para assim entender as novas necessidades de gênero. Saindo desta aura criada por um estereótipo típico, pensar em nossas atuais necessidades e posturas é parte da minha necessidade de criação artística que me mantem ativa em meus ideais de diálogo com a cidade.
Séries Viva Anarkia - O Graffiti Conceitual A série “Viva a Anarkia” é uma panorâmica de todos os meus graffitis, fotografados e numerados e exposição das minhas idéias em relação a cidade. Com duplo sentido, o título da série remete a grande discussão a respeito do conteúdo da cultura graffiti atual como questões não tão novas, mas ainda muito interessantes em relação ao suporte e a distorção pela mídia, necessidade de comercialização, e ainda as curiosas leis direcionadas a esse tipo de intervenção urbana que não se entende e não se sabe aplica-las diante da aceitação cultural. O graffiti conceitual surge como reflexão em relação a todas estas questões. As circunstancias em que a pintura se encontra em um determinado muro da cidade, pois esse conjunto de ações que implica desde a escolha das tintas, a busca do local perfeito, o croqui e até o acaso do seu resultado final e transgride a posição de mais uma imagem bela e carrega toda a expressão da vida na própria cidade sentindo e entendendo de diversas maneiras desde que respeitando o seu espaço original: A rua. No site o público pode acompanhar a efemeridade da obra através dos mapas da cidade. Dominando a Cidade Apropriar-se da cidade abandonada. Conhece-la, namora-la. O processo de bombardeio cria uma intimidade entre o grafiteiro e a cidade que poucas pessoas são capazes de desenvolver. O anonimato da situação causa intriga e curiosidade para os que passam. Grafiteiro que é grafiteiro, tem que ter graffiti na cidade inteira. É uma maneira de gritar que a cidade é minha. Do passado para agora o conceito de público mudou. O público era do estado e só poderiamos ter liberdade dentro do espaço privado de nossas casas. Hoje o público é de todos, se é de todos, temos que nos apropriar e ganhar nossos espaços. Assim o graffiti nasceu, por esta sensação de posse para com a cidade. O Ilegal é mais Legal A cidade é cheia de falhas. O controle não está perfeito. As câmeras nem sempre funcionam. Como driblar este controle e apontar suas imperfeições? Isso é uma maneira de refletir a estrutura da humanidade, nossas idéias, cultura e a forma como tratamos o controle e a normatização da população. Invadindo a Favela Nem um lugar existe mais riqueza de espaços para pintura do que em uma favela. É comum invadirmos-as para ocupar seus espaços e colorir o caminho de quem passa. Revitalizar áreas abandonadas e criar uma idéia provocando alegria e esperança mesmo que esta venha atravéz da crítica. Reflexões de Gênero e Poder Sofro uma grande exposição por conta dos meus ideais feministas, algumas vezes mal compreendidos ou questionados enquanto antiquados ou ultrapassados e outras admirados e valorizados. A minha aparência vem para contestar, no meu caso, estar nos padrões é não estar nos padrões. Pensando sobre feministas e outras situações inusitadas, espera-se o ideal de mulher “Macho”, com roupas, fala e gestos masculinos, então apresentar o ideal de feminidade de nossa sociedade neste caso é demonstrar desapego por qualquer esteriótipo. A Série de Body Graffiti vem pra provocar. É comum grafiteiros pintarem as meninas com quem saem e exibi-las como troféu pela internet. Mas hora, ver este papel invertido gerou um mal estar aonde o público faz cara de desdem, criticam e ironizam. Olham atravessados e ficam na dúvida do propósito e realidade do trabalho. A mesma exposição sofro no trabalho para o homem ideal. Minhas atitudes e ideais provocam medo e espanto pois vão contra o perfil de feminilidade impostos, então, desenvolvi minha listagem com o perfil ideal de homem másculo para reprodução e criação dos meus filhos aonde divulguei em sites de relacionamento colocando um e-mail de contato no final. Exaltados, os rapazes reclamam que o meu padrão é inalcançável, porém também estou fora dos padrões de mulher ideal que hoje, escraviza mulheres do mundo todo em academias, regimes e depilações, entre outros. Apesar de ser o tempo todo ironizada alegando-se que este tipo de homem não existe, muitos pretendentes de todo o Brasil entraram em contato com respostas variadas e algumas muito criativas complementando assim o trabalho e armando a discussão sobre esta temática das relações de gênero. Série Opressão Apesar de muito termos avançado em relação aos direitos das mulheres e da igualdade de gênero, ainda em países como o Brasil muitos passos ainda faltam para esta verdadeira igualdade ser atingida. A dominação emocional e psicológica do homem sobre a a mulher ainda é algo que restringe a qualidade de vida. Pensar e refletir sobre essas questões é essencial para atingirmos as mudanças totais. Visualmente, o uso da fotografia como primeira matéria prima é essencial para o desdobramento do trabalho, sejam estes pinturas, vídeos ou até mesmo interferências urbanas. A fotografia é o que registra o sentimento da mulher. A dúvida, os questionamentos, tudo é registrado naquele segundo que a imagem apresenta. A inserção de conjuntos de letras que formam palavras e frases incompreensíveis, é mera invenção visual como forma de simbolizar os anos de opressão vivenciados pelas mulheres em que seus atos e palavras eram simplesmente ignorados. A escolha por uma representação não muito definida e até mesmo hibrida são propositais para não deixar que o observador se apegue essencialmente a imagem mas sim que esta gere sentimentos confusos e estimule a reflexão sobre a questão conceitual. Minha obra é dividida em séries. A primeira dela é a Opressão, a mesma que da nome ao trabalho total pois é o sentimento principal que gera todos os outros. Desta, sentimentos de ódio, dor, exclusão e vazio, assim por diante são criados em minhas obras.
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| Última atualização em Seg, 18 de Janeiro de 2010 19:56 |
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