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Xarpi, Uma Escrita Urbana
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Pichação
Escrito por Fabiana Menine   
Sex, 19 de Dezembro de 2008 21:00

Matéria "roubada"  do Overmundo:

http://www.overmundo.com.br/overblog/xarpi-uma-escrita-noturna

 

A inclusão da pixação na complexa linguagem urbana pós-moderna , integra as formas contemporâneas de comunicação social, sendo herdeira legítima de uma cultura visual de massa, passível de leitura e de compreensão subjetiva para quem a observa, interpreta e lhe atribui significado.


O antropólogo Massimo Canevacci assim define as letras usadas na pichação: “Essas letras têm o jogo – ou o arabesco, como muito adequadamente foi definido – dos rabiscos próprios da verdadeira escrita árabe, com sua exigência quase exagerada de entrelaçamentos que constroem cifras, bordados, heras; e também a seriedade do alfabeto gótico, feito de signos convexos e côncavos, de ângulos agudos, de improvisadas acelerações, com subidas e descidas dos signos. Talvez seja devido a esta matriz obscura e misturada – simultaneamente árabe e gótica, quase o máximo da incompreensibilidade – que raramente se compreenda o sentido desses grafites”*. Antes de comunicar uma mensagem, a pixação é a marca de uma pessoa, de um grupo, da existência de alguém, de muitos escritores “anônimos” que são vistos por toda a cidade. O fato de já serem vistos é suficiente para que continuem as exposições de suas marcas na apropriação simbólica do ambiente em que vivem. Para com a população em geral e o Estado em particular, a pichação integra o fenômeno de poluição visual inerente às grandes cidades ,e constitui um código à margem e “sem regra”.


A pichação pode ser causa de um sentimento de medo e de insegurança devido a fatores como: sua forma estética que compõe um código lingüístico secreto acessível somente para iniciados; à sua presença totalitária e constantemente impregnada ao mobiliário urbano; à sua reprodução contínua e prolongada de modo misterioso durante a madrugada; a existência fantasmagórica do pichador que nunca é visto deixando apenas seus rastros .

A politica repressiva que incentiva a "denuncia" "delaçao" e outras formas de paranoia social, faz lembrar a ditadura "meu vizinho e revolucionario, mata ele tio!".

Essa politica nao vai permitir controlar a pixaçao , talvez apenas colocar por um dia ou dois um pixador na delegacia e acentue um "medo" que sò faz dar mais adrenalina a atividade .

Essa politca nos faz lembrar de uma frase do sociologo e chefe da policia do Rio, Luiz Eduardo Soares, no documentario Noticias de Uma Guerra Particular "enquanto o estado estiver presente na favela unicamente com seu aparato repressivo, nada pode ser feito para reverter essa situaçao (questao do trafico)" que ilustra bem a discussão que queremos fazer acerca dos espaços da cidade .


Não discutiremos o que esta tao em voga , uma repressão midiatica , imediatista , graffiti é bom e pichação é ruim , o bem eo mal , tão pouco o fato dessa escrita urbana caracterizar ou não uma forma de arte ou vandalismo, mesmo procurando reconhecer que a letra e única, brasileira , do mobiliario urbano.


É de nosso interesse organizar a discussão , de forma a ser propositiva em relaçao a politicas públicas.

Fabiana Menini


Nota a Imprensa

O Projeto Xarpi - uma escrita noturna abrangeu, em seu processo pedagogico, uma oficina de vídeo participativo e um colóquio. A oficina aconteceu de 6 a 15 deste dezembro, pelas ruas de Porto Alegre e em um estúdio de edição de imagens. Os participantes foram 10 , com idades entre 18 e 26 anos e atuação no espaço urbano.

Sob a curadoria de Fabiana Menini, coordenação de atividades de Luciano Spinelli e tendo como participantes convidados Anarkia , Choque , Val Afrochicano e Pixobomb, o projeto fechou com 3 horas de conversa sob o tema estética da letra da pixação brasileira, que é pesquisa de doutorando , na Sorbonne, de Spinelli .


O projeto Xarpi - uma escrita noturna pretendeu sempre provocar novos olhares em relação à cidade, sendo ele um processo pedagógico que nao se resume no ato artistico , mas inclui também discussão, que informa jovens de seus direitos. É uma discussão que nao pode ser moralista , higienizadora e punitiva , pois essa visão punitiva nao tem resultado esperado , os jovens nao deixam de se manifestar , e como a manifestação muitas vezes é ilegal, a sociedade tambem vê ilegalidades.


Nosso processo viu tipos de vida, através do ato artistico e da observação da sociedade, discutiu a importância da liberdade de expressão de jovens que realizam intervenção urbana e o protagonismo que o Brasil vem alcançando diante do segmento das artes contemporâneas devido a sua repesentação global.



( depoimento)

Enquanto acontecia a pintura e filmagem do documentario , a ação na rua.......um jovem jornalista observava e seu camera filmava de campana a intervenção do outdoor, quando a gente começou a recolher as cameras, a bagulhama toda e comemorar que estava FEITO È ISSSSSSSSSS chegou a guarda municipal ( e logo o jovem jornalista e seu cinegrafista) a guarda verificou a documentação do projeto, as autorizações, os documentos , olhou tudo e libero

e o jovem jornalista entrevistou a fabiana

ó era pauta para caderno de cultura, claro que depende da abrangencia e da compressão, jovens jornalista as vezes , são so jovens jornalistas.

..........


Reafirmamos a legalidade do projeto, que a intervenção fora do outdoor nao estava autorizada , nao havia sido feita com nossa participação ou aprovação, e que nossa proposta de trabalho foi discutida com os participantes que se comprometeram com a ação artistica proposta.

Nesse processo renovamos nossa crença que precisamos , sim , sair do paradigma da "repressão" para pensar a segurança pública na cidade e nas ruas como espaços de convivência e criação e, em especial, as juventudes produtoras de arte e in(ter)venção!!!!


Instituto Trocando Ideia
www.myspace.com/trocandoideia
este projeto faz parte da Rede Funarte de Artes Visuais
www.xarpiescritanoturna.blogspot.com

Na foto: Choquephotos, Anarkia, Luciano Spineli, e Rafael.


Última atualização em Sáb, 16 de Janeiro de 2010 10:53